mai 24

 

 

Não, gente, podem ter certeza de que não errei a data.Sei muito bem que hoje são 24 de maio, véspera do 25, dia da África, efeméride talvez desconhecida por muitos.Mas eu quero falar mesmo é do dia 14 de Maio de 1888, o dia seguinte ao 13, da Abolição.Devo dizer, de saída, que não me alio ao repúdio puro e simples à data da Lei Áurea.Na boa reflexão do poeta Capinan só os que se viram livres das algemas, que não mais submeteriam o corpo ao tronco e às torturas é que souberam o tamanho da alegria de viverem em liberdade.Não à toa, os negros de Santo Amaro, desafiando a poderosa Igreja Católica, a sociedade aristocrática branca de então e a polícia, levaram todos os candomblés a bater em praça pública, no 13 de Maio de 1889, para comemorarem o fim da escravidão.E não pararam de o fazer até hoje.

Mas, voltando ao 14 de Maio. O dia anterior foi só alegria.No dia seguinte, entretanto, os ex-escravos já começavam a sentir o peso de uma liberdade sem cidadania,sem inclusão social e pior: com o próprio estado brasileiro estabelecendo medidas legais e institucionais para negar quaisquer benefícios ao negros, jogando-os na vala da marginalidade, tornando-os “gente diferenciada”.No excelente livro “ Cor da Pele”, que deveria ser leitura obrigatória de todos, o Dr. Almiro Sena, hoje secretário da Justiça e Direitos Humanos da Bahia, lista uma série dessas medidas, que tranformaram o dia 14 de Maio numa longa noite de tormentos e negações para a nossa etnia.A promoção da imigração da mão de obra europeia, tirando dos negros a remuneração por um trabalho que eles fizeram por 350 na condição de escravizados; o Código Penal de 1890, tipificando como crime a capoeiragem, a mendicância, a vadiagem e o curandeirismo; a inacessibilidade, aos negros, à educação de qualidade e à posse de terras.123 anos depois ainda sofremos os efeitos desse crime perfeito.

Se o estado brasileiro “inventou a tristeza”, ele mesmo “ tenha a fineza de desinventar”.Por isso, pense quatrocentas vezes antes de condenar as cotas e as políticas públicas de reparação, viu?

 

                                                   Jorge Portugal

          Educador e Comunicador.E-mail: secretaria@jorgeportugal.com.br

mai 23

 

 Faça um sincero exame de consciência, agora, e me responda:

- Você acredita que se tivéssemos uma rede pública de ensino de qualidade, o jogo da competição entre os nossos jovens estaria empatado, e a partir daí valeria apenas o talento?

-Acredita, também, que com essa rede pública acima referida, não haveria mais necessidade de cotas para a juventude negra e pobre dos colégios estaduais?

-Por fim, você crê , com a lucidez dos que pensam profundo, que, cumpridos todos os itens acima pelo estado brasileiro, aí, sim,teríamos completado nosso processo de abolição e instaurado, definitivamente, a república entre nós?

Pois, se você acredita sinceramente em tudo isso, pode ter certeza: você é um(a) educacionista.Só não sabia.

O Educacionismo, expressão-conceito criada pelo educador  Cristovam Buarque, é , principalmente, um movimento da cidadania brasileira que tem por bandeira principal a “educação como única revolução necessária e possível”.Entendemos que, na sociedade do conhecimento, cada minuto que perdemos pode representar décadas de atraso, frente à inaceitável taxa de analfabetismo que temos e o desqualificado ensino médio que oferecemos aos nossos jovens.Tornamo-nos ,há séculos, verdadeiros exterminadores de gênios que sequer tiveram a chance de se revelarem; estudantes que completam o segundo grau e não têm mais como progredir na sua marcha rumo à universidade ou a uma inserção digna no mercado.Uma juventude diariamente cooptada pelo crime organizado, porque a transformamos num exército de reserva do mal.

O Educacionismo, além de suas bandeiras já conhecidas, possui também um conjunto de ações bem delineadas: a lei do piso nacional do salário do professor, da autoria do senador Cristovam, pelo qual precisamos lutar decididamente, pois que existem governadores e prefeitos arranjando desculpas inaceitáveis para não pagar; a lei 11.700, pela qual crianças a partir de quatro anos de idade têm direito a uma vaga na rede pública, em escola próxima à sua casa; e o projeto de lei, do mesmíssimo Cristóvam, que propõe a federalização do ensino básico, ficando este sob a responsabilidade da União,com professores, diretores e demais funcionários ,com o seu plano de carreira assegurado e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil, Caixa Econômica e outras estatais.

Gostou? Então junte-se a nós.Vamos fazer do Educacionismo um movimento da magnitude das “Diretas Já” , ou do  “Impeachment de Collor”.Acima de partidos, ideologias, crenças religiosas ou idiossincrasias quaisquer.Lembre-se: não existe país de “primeiro mundo”; há, sim, povo “de primeiro mundo”. E isso só se faz com ensino público de qualidade.Entre nessa!

 

                                                                               Jorge Portugal

 

                                  E-mail> jorgeportugal@terra.com.br

                                  Facebook> Jorge Portugal Portugal

                                  Twitter> jorgeportugal1

 

 

 

 

mai 11

 

Em semanas de Bin Laden, casamento de príncipe e beatificação de Papa, educação não entra.Por isso, fui descobrir na sétima página de um poderoso jornal paulista, a melhor das notícias que poderia receber:”Desigualdade é a menor em 50 anos, e educação é o principal motivo da distribuição mais igualitária”.Políticas de ações afirmativas, Prouni e a explosão dos cursinhos sociais certamente respondem por isso.Mais pobres no ensino superior,melhor renda, melhor vida.Sinceramente, leitor(a), você não acha que essa notícia deveria vir até num canto qualquer da primeira página?

Na Bahia,Pacto pela Educação; Pronatec no Brasil.O primeiro apresenta dez metas ambiciosas, calçadas na parceria entre o estado e municípios,e dispõe-se a: extinguir o analfabetismo escolar,ampliar o acesso à educação integral, combater a repetência, valorizar o profissional da educação e promover sua formação, estimular as inovações e o uso das tecnologias como instrumentos pedagógicos e outros itens que, com a ajuda e participação da cidadania, ou seja, todos nós, poderá transformar-se em uma bela revolução.Já o Pronatec, lançado pela presidente(a) Dilma Roussef mira o fortalecimento e a ampliação do ensino profissionalizante médio, em um país que cresce  5% ao ano, mas já começa a vislumbrar um apagão de mão-de-obra qualificada segurando o pique da economia.

São três notícias pra deixar a alma de qualquer educador em festa.Mas, gente, meu coração bateu ainda mais forte e apaixonado há cerca de dez dias quando entrei no Colégio Djalma Pessoa, do Sesi, na Av. Orlando Gomes.O velho professor viu ali a escola dos sonhos.Mantido pela FIEB,tem instalações impecáveis, laboratórios de ciências de primeiríssima linha, teatro, programação cultural intensa, professores capacitados e motivados e 1.600 alunos  com os olhos brilhando de inteligência e contentamento.Ali, sem que ninguém me ouvisse, cantei baixinho para aquela maravilha: “ se todos fossem iguais a você…”

 

                                            Jorge Portugal

       Educador e comunicador.E-mail> secretaria@jorgeportugal.com.br

mai 7

 

Você, que está lendo este artigo agora, deve ser pessoa pertencente à classe média ou média-alta, não?Pois bem, devo-lhe dizer que até hoje não entendo sua compulsão por pagar duas vezes pelo mesmo serviço.Há anos parece que você firmou um indissolúvel casamento com a bitributação.Senão vejamos: você paga impostos para ter segurança e tranqüilidade no seu dia a dia; entretanto, paga mais ainda para morar num condomínio fechado ou em algum prédio cercado de câmeras por todos os lados.Você também paga impostos para ter direito a hospitais de ponta e assistência médica decente, não é? No entanto, “morre” numa quantia considerável mensal para garantir um bom plano de saúde.E, por fim, só para ficarmos em três exemplos, no imposto que você paga vai um percentual considerável para que seus filhos tenham boas escolas públicas e um padrão de ensino, no mínimo, satisfatório.E o que ocorre?Haja dinheiro para colégio particular e, a depender do número de filhos, isso vira uma pequena fortuna. Faça as contas direitinho e veja o quanto voltaria para o seu bolso se nós, da classe média,abraçássemos uma luta sem trégua por serviços públicos de qualidade!

Fico, por enquanto, com a luta por uma escola pública decente que é, para mim, a mãe de todas as outras lutas.Pelo simples fato de que uma pessoa bem informada, com boa visão de mundo e consciência cidadã saberá muito bem afastar o que de ruim ou inconveniente tente se aproximar de sua vida.Saberá lutar por um ótimo sistema de saúde, por boas estradas, pelos zelo necessário com o meio ambiente, pela sustentabilidade da vida no planeta.Assim como você faz, assim como eu faço.Dê escolarização e educação de qualidade a um povo, que do resto ele cuidará.

Além do mais, na escola pública, teremos a primeira aula de democracia e respeito às diferenças.Numa sala de aula sem apartheid, estudam o filho do deputado e o filho do gari; o filho do gerente do banco e o filho do contínuo; o filho do empresário e o filho do camelô.Uma sala com todas as classes e de todas as cores.E pela qual já pagamos altos impostos! Só pra lembrar: se já foi assim um dia, por que não pode voltar a sê-lo?

Por isso estou em campanha desde o artigo passado.Precisamos provocar uma audiência pública no senado para que seja discutido o projeto 480/2007, de Cristóvam Buarque, que prevê para” daqui a sete anos,que todo detentor de mandato público, de vereador a presidente, seja obrigado a matricular seus filhos na rede pública de ensino do Brasil”. É o que chamo de “bomba do bem”.Falta apenas o senador Antônio Carlos Valadares, o relator do projeto, retirá-lo da gaveta, onde dorme há quatro anos.Use o twitter, o facebook, mande e-mail para o relator. Isso é infocidadania.E-mail  dele:antoniocarlosvaladares@senador.gov.br

A luta continua, classe média!

JORGE PORTUGAL  > E-mail: jorgeportugal@terra.com.br

                                     Twitter: @jorgeportugal 1  / Facebook > Jorge Portugal Portugal

 

 

 

 

abr 26

 

Quando vejo algum intelectual empertigado (ou alguém que assim se acha) desancando o escritor Paulo Coelho e obras como Harry Potter e congêneres, fico me perguntando:quantos pessoas esse sujeito – ou sujeita – já incluiu no mundo da leitura?E mundo da leitura aqui não se confunde com mundo da “alta literatura”.É o simples ato de abrir um livro e passear, por um bom tempo, o olhar sobre a palavra escrita.Já ouvi relatos de muitos ex-alunos que começaram por Paulo Coelho e terminaram chegando, depois, a Clarice Lispector .Mas, antes de pegar um livro do que chamamos “sub-literatura”, essas pessoas simplesmente não gostavam de ler.É que intelectuais empertigados vivem no olimpo das academias e não costumam descer aos infernos da “cultura quase zero”  de estudantes do ensino básico e do povo em geral…

Tudo isso para conversarmos sobre a sensação do momento, a novela “Amor e Revolução” do SBT.Ainda nem tinha me interessado pela atração quando soube que um grupo de militares havia pedido sua retirada do ar.Claro que aí meu interesse explodiu. Passei a assistir ao folhetim e a me entusiasmar com o seu conteúdo. É uma mistura de “Romeu e Julieta” e crua narrativa sobre a ditadura militar.Narrativa que não mede palavras nem imagens.Estão lá dois oficiais da” linha dura” caçando e matando opositores; sessões de tortura nos porões do DOPS, com “pau-de-arara”, perseguição e banimento de quadros políticos que apoiavam o presidente Jango, enfim, uma história que sempre foi proibida ao povo brasileiro e agora contada na tela da TV.E uma TV popular, público C e D.Boa parte daquilo que ainda não foi relatado pela “Comissão da Verdade”, com sua instalação postergada por poderoso lobby, a TV aberta começa a contar.E a audiência cresce de semana para semana.

O elenco é bom? Nem todo.Muitos atores jovens chegam a ser sofríveis e a direção precisa melhorar em alguns aspectos.Mas “Amor e Revolução” é como o primeiro livro de Paulo Coelho que cai nas mãos de um não-leitor.Com esse primeiro contato ele pode tomar gosto e querer mais, muito mais.E a trilha sonora é o mel do melhor dos nossos maiores gênios musicais.

                            Jorge Portugal

        Educador e poeta.E-mail>secretaria@jorgeportugal.com.br

abr 23

 

 

Passeio, nesses últimos dias, meu olhar pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do mundo, construção de estádios, ampliação  de aeroportos, modernização dos meios de transportes, um frenesi  em torno do tema que domina mentes e corações de dez entre dez brasileiros.

Há semanas, o todo-poderoso do futebol mundial ousou desconfiar de nossa capacidade de entregar o “circo da copa” em tempo hábil para a realização do evento, e deve ter recebido pancada de todos os lados pois, imediatamente, retratou-se e até elogiou publicamente o ritmo das obras.

Fiquei pensando: já imaginaram se um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? É… pois se todo mundo acha que reside aí nossa falha fundamental, nosso pecado social de fundo, que compromete todo o futuro e a própria sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por que não um esforço nacional pela educação pública de qualidade igual ao que despendemos para preparar a Copa do Mundo?

E olhe que nem precisaria ser tanto! Lembrei-me, incontinenti, que o educador Cristóvam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador da República, encaminhou ao senado dois projetos com o condão de fazer as coisas nessa área ganharem velocidade de lebre: um deles prevê simplesmente a federalização do ensino público, ou seja, nosso ensino básico passaria a ser responsabilidade da União, com professores, coordenadores e corpo administrativo tendo seus planos de carreira e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal.Que tal? Não é valorizar essa classe estratégica ao nosso crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? O projeto está lá… parado, quieto, na gaveta de algum relator.

O outro projeto, do mesmo Cristóvam, é uma verdadeira “bomba do bem”.Leiam com atenção: ele, o projeto, prevê que “ daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da república serão obrigados a matricular seus filhos na rede pública de ensino”. E então? Já imaginaram o esforço que deputados(estaduais e federais) , senadores e governadores não fariam para melhorar nossas escolas sabendo que seus filhos, netos, iriam estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator.E não anda.E ninguém sabe dele.

Desafio ao leitor: você é capaz de, daí do seu conforto, concordando com os projetos, pegar o seu computador e passar um e-mail para o senadorValadares(antoniocarlosvaladares@senador.gov.br)pedindo que ele desengavete essa “bomba do bem”?É um ato cívico simples.Pela educação.Porque pela Copa já estamos fazendo muito mais.

                            JORGE PORTUGAL

Educador e Apresentador de TV

E-mail> jorgeportugal@terra.com.br

Twitter>jorgeportugal1

abr 20

 

Poetas são criaturas que conhecem, como ninguém, o endereço do nada.E, quando se lhes dá na telha(ou na pele), vão lá e retiram palavras, imagens e metáforas para falar de mundos que a nossa impotência verbal não traduz.E é dos poetas que tomamos as palavras emprestadas quando sentimos que as nossas não conseguem chegar às estrelas.

Pois bem, neste ano da graça de 2011, estará completando inacreditáveis 70 anos, um dos maiores e mais importantes poetas da cultura brasileira contemporânea: José Carlos Capinan.

Foi  de Capinan que você,leitor(a), tomou as palavras precisas para expressar aquela alegria indizível de se descobrir vivo e feliz.Ali, você cantou: “ cores do mar, festa do sol/vida é fazer todo sonho brilhar, ser feliz/em seu colo dormir e depois acordar/sendo o seu colorido brinquedo de papel machê…”.Lembra?

Ou, no caso de você já ter passado dos trinta(rsrsrs!) e ter vivido com ardor juvenil o sonho de alguma revolução igualitária em que os países não tivessem fronteiras, nem divisões sociais, o seu coração “guevariano” certamente deve ter cantado “ Soy loco por ti, América/tenga como colores a espuma blanca de latinoamerica/ e el cielo como bandera”.Ou, ainda no seu caso,caro leitor, ao despir a mulher amada com olhos de poesia e desejo, e não encontrando palavras à altura para o seu plano de sedução, deve,sim, ter pedido ajuda a Capinan e cantado no ouvido da musa:” moça bonita, o seu corpo cheira ao botão de laranjeira/eu também não sei se é/imagina a minha sina é um cheiro de café/ou é só cheiro feminino/é só cheiro de mulher”.

E assim, dessa maneira, Capinan foi tomando conta de nossas vidas, convidando-nos a “penetrar surdamente” no reino de suas palavras e nos entregando a chave de belas e invulgares emoções.Por isso, onde você estiver no próximo sábado, agradeça ao deus da poesia por ter nos dado esse “caboco do mato” que vem enchendo nossa vida de palavras, sonhos e luz.

PS: Samuel Celestino, meu “companheiro-em-armas” por uma Bahia melhor:Podemos até perder a luta.Mas, como dizia Darcy,será bem melhor não estarmos no lugar dos vencedores.Nem dos omissos.

 

                                      Jorge Portugal

              Educador e Compositor.E-mail>jorgeportugal@terra.com.br

              Twitter> jorgeportugal1

abr 15

 

O desemprego é um dos grandes problemas dos países do terceiro mundo que são capitalistas. Proveniente da dominação econômica, imposta pelos desenvolvidos, tornou-se um dos maiores aliados do imperialismo

A situação econômica por que passam os países subdesenvolvidos é grave. A dívida externa e interna, inflação, baixo poder aquisitivo fazem com que o mercado de trabalho fique cada vez mais escasso, apresentando os altos índices de desemprego. Um exemplo deste aumento é o número cada vez maior de biscateiros nos grandes centros urbanos. Vê-se, assim, que o desemprego é uma característica marcante do subdesenvolvimento de um país.

No Brasil, a falta de emprego é gritante. O mercado de trabalho exige cada vez mais a qualificação do empregado, para que o empregador possa pagar, com um salário, o trabalho que seria feito por vários. Um micro computador, que só precisa de um operador, substitui o desempenho, muitas vezes, de dezenas de pessoas. Sendo assim, as pessoas, para sobreviver, engrossam as fileiras do sub-emprego ou da marginalidade.

É preciso que se faça uma reforma agrária nestes países. Assim será incentivada a fixação do homem no campo, onde não faltará trabalho. Além do mais, não resolverá só o problema do desemprego: abrirá caminho para o desenvolvimento.

Autor: Marcelo Silva Dantas (Aluno)

abr 15

 

“A televisão é uma máquina de fazer doido”. Com essa afirmação, o jornalista Sérgio Porto tentava conceituar a novidade eletrônica que cada vez mais os lares brasileiros, na década de sessenta.

De fato, pode-se dizer que o surgimento da TV provocou uma revolução sem precedentes. Conjugando o som e imagem apresentando os fatos em tempo quase real,terminou por banir a vida de milhões de pessoas outros importantes meios de comunicação. O jornal e o rádio, outrora indispensáveis no processo de informação social, viram-se relegados a uma condição secundária, ou até mesmo excluídos do cotidiano popular. O domínio da TV, portanto, foi completo, implacável e definitivo.

Em países periféricos como o Brasil, a sua atuação mostrou-se, sob certos aspectos, devastadora. Povoando o imaginário de uma grande massa desenformada e analfabeta, foi construindo, nessas pessoas, um ideal de mundo inteiramente alheio ás suas realidades. Através principalmente das novelas, levou favelado a sonhar com mansões; a moça tímida e pobre, com o galã encantado e, pior: disseminou a crença de que, apesar das adversidades, tudo terminará no final feliz.

A TV, por fim, gerou uma grave crise de identidade sócio-cultural. O mundo dos sonhos, projetado ao tempo da novela, desaba inexoravelmente no fim de cada capitulo. E o indivíduo, impotente e pobre, volta a ser protagonista de uma história que ele aceita cada vez menos: a vida real.

Autor: Silber Carvalho (Aluno)

abr 15

 

 

Mês de Janeiro, no condomínio de classe média  onde moro,recebo o sorriso e os braços abertos de um vizinho que exclama:”Jorge, me dê um abraço.A partir de hoje aumento um pouco mais os números de minha conta bancária”.Sem entender, perguntei a ele se havia faturado a mega-sena, ou recebido alguma herança.”Que nada, respondeu-me ainda eufórico.Meu filho e minha filha acabam de ser aprovados  na UFBa, em Direito e Odonto, e eu, que pagava quase R$ 4.000,000 pelos dois em colégio particular, terei esse dinheiro de volta ao meu bolso a partir de agora”.

Imediatamente o meu pensamento voou para a outra ponta.Certamente em alguma família de baixa renda, algum estudante que cursou escola pública deve ter passado em algum vestibular de faculdade privada e, a partir de agora, essa família vai-se virar( sabe Deus como!) para arranjar os R$ 700,000 mensais(ou mais) e manter o filho no ensino superior.

Essa inversão brutal tornou-se o caminho mais cruel – e despercebido- da exclusão sócio-educativa no Brasil.Famílias abastadas pagam onze anos de escola particular, preparam seus filhos satisfatoriamente e estes ingressam, não raro, nas universidades públicas, onde conquistarão um “diploma cinco estrelas”  e a certeza de um bom lugar no mercado de trabalho.Já os filhos da pobreza fazem toda a viagem escolar na rede pública- onde é um milagre quando o professor aparece – e às portas do vestibular só lhes resta a opção de cursar uma faculdade privada(ou faculdade-privada?), conquistando um diploma  visto com total desconfiança pelo mercado.

E assim se reproduz o ciclo da exclusão que abate sem dó negros, pobres (pleonasmo?), nordestinos e toda a periferia do bem-estar social a quem o braço do estado não consegue alcançar.As políticas públicas de reparação, sem dúvida, são bem vindas.As cotas tornam-se imprescindíveis dentro de um cenário como este; o Prouni quebra um galho inestimável ante a possibilidade de “formação superior zero”.Mas todas elas devem ser vistas como soluções com prazo de validade a vencer um dia.O que queremos mesmo é uma escola pública de qualidade, sintonizada com o melhor do mundo e professores com remuneração que os faça sorrir; um currículo inteligente e razoável, que consiga plugar os estudantes na contemporaneidade e fazê-los reconhecer o valor da escola em suas vidas; a integração sala de aula e tecnologias como forma de dar celeridade e onipresença da informação na vida do estudante.De maneira leve e sedutora, se possível.

Dizia mestre Anísio Teixeira que “ o ensino público de qualidade é a única máquina de fazer democracia”.Fora disso, é conversa fiada, engodo de demagogo, papo furado de gestor-meliante.E o velho filme de terror que transforma a juventude pobre do país em “ cabras marcados para perder”.Sempre.

                                     JORGE PORTUGAL

Contatos> jorgeportugal@terra.com.br

 Twitter> @jorgeportugal1

 

abr 15

 

Não, o que me preocupa não são as declarações racistas e homofóbicas do dep. Bolsonaro.Esse, aliás, já deveria ter sido banido da vida pública há muito tempo, desde quando fez clara apologia à tortura, ou quando sugeriu que” se o regime militar tivesse matado FHC, ele agora não seria presidente”.Mas essas coisas não parecem calar fundo na alma do brasileiro médio, deitado eternamente no berço do seu comodismo político.
O que me causa pasmo é a ponderável quantidade de e-mails, nos debates da internet,de apoio declarado à posição do deputado-boquirroto e seus 120. 000 fieis eleitores cariocas.Dirão os cínicos relativistas que isso é a democracia, é liberdade de opinião e outras platitudes que tais.Como se uma declaração que reforça a homofobia e o racismo –este, crime inafiançável- tivesse o mesmo teor, por exemplo,que uma tentativa retórica de desqualificar algum governo de plantão.
Leio no Jornal A Folha de São Paulo que na capital paulista já são 25 os grupos neonazistas especializados em espancar e até matar negros, gays e nordestinos.Notem bem:grupos mapeados pela delegacia especializada do estado.Ganha um acarajé de Cira, recheado de camarão, quem adivinhar quem é o político idolatrado por essa corja.Inclusive, no último sábado, saíram à Avenida Paulista com o fito de “acabar na porrada” uma manifestação que pedia a cassação de Bolsonaro.
Em artigo escrito na quinta-feira, para o Terra Magazine, o juiz paulistano Marcello Semmer expunha com clareza e fundamentação as razões para uma cassação do mandato de Bolsonaro.Recebeu uma enxurrada de e-mails agressivos e velados tons de ameaça.Um deles não se conteve e deixou lá sua saudação:”Heil Hitler!”.
E o brasileiro “cordato”, “democrata racial”, “defensor da liberdade de opinião”(desde que não ameace seus interesses)faz ouvidos moucos a tudo isso.A esses eu recomendo a leitura do belo, curto e incisivo poema “No caminho, com Maiakóvski”, de Eduardo Alves da Costa.No Google você acha.Ah! aproveite e assista ao filme “O Ovo da Serpente” , de Bergman.E pode esquecer a leitura deste artigo.
Jorge Portugal
Educador e Apresentador de TV.E-mail>jpportugal@uol.com.br

CONTATOS:
Email: jorgeportugal@terra.com.br
Twitter: @jorgeportugal1

Próximo »