set 27

 

Sem conversa fiada.Os números gritam aos olhos: um estudante do terceiro ano do ensino médio da rede pública custa ao Brasil cerca de R$ 2.300,00 reais por ano; um aluno do terceiro ano do Colégio São Bento, do RJ, mais uma vez campeão do ENEM, paga mensalidade no valor de R$ 2.140,00 reais.Das vinte escolas que mais pontuaram na prova de 2010, só duas são públicas, ainda assim uma Escola Técnica e o Colégio de Aplicação da Universidade de Viçosa.De resto, mais de 70% das escolas estaduais mal conseguiram atingir a média de pontos.

Você pode pensar: “mas é um grande abismo escolar!”.E eu complemento:um grande abismo social.A educação que é, por excelência, o claro caminho da inclusão, dessa forma se torna poderosa arma de excluir.E o pior é que os resultados positivos dessa área só costumam aparecer uma geração depois.Certo, certo, já temos, desde Lula, um incrementado Prouni, as políticas de cotas, um número considerável de novas universidades federais e escolas profissionalizantes, mas ainda continuamos a perder metade dos jovens na passagem do fundamental para o médio.Conta de milhões.Acrescente a isso os que ficam “barrados no baile” do ensino superior e apenas engordam as estatísticas negativas do Enem e de outros vestibulares de ponta.

Os números lá de cima querem nos dizer uma coisa muito simples: havendo dinheiro e boa gestão( regra no colégio particular), o professor ganha bem e não falta às aulas, as salas são equipadas com a mais avançada tecnologia, não raro a permanência em sala é bem maior que as quatro horas – e olhe lá! – da rede pública e, mesmo com esse currículo estúpido e inflacionado do segundo grau, quase todo ele é cumprido e bem explicado.

Sem papo furado: a meninada começou a botar o bloco na rua – ainda timidamente – pela mais justa causa da sociedade brasileira: 10% do PIB para educação e 50% do lucro do pré-sal também.E enquanto as ruas não forem  tomadas por essa paixão, estamos proibidos de mudar de assunto.E de falarmos também em democracia.

Jorge Portugal – educador e comunicador. E-mail> secretaria@jorgeportugal.com.br

set 13

 

Estreou, há alguns dias na TV Educativa, um novo formato de programa educativo que experimento na tela da TV.Denominado “É BOM SABER”, patrocinado pela SEC,  tem o objetivo concentrado de levar informações atualizadas a estudantes – sobretudo da rede pública – que farão a prova do ENEM e demais vestibulares da Bahia.É uma ação complementar à sala de aula tradicional, mas trazendo a informação em velocidade tal que a escola clássica ainda não demonstrou condições de o fazer.Chamo a isso “articulação do bem”, em que televisão e internet expandem o conhecimento e encontram o aluno onde quer que ele esteja, à hora em que lhe for mais conveniente.Formato simples: trinta minutos de programa, com os dois principais quadros baseados em claras e ótimas explicações dadas por um professor “craque” em explicar.O “prato de resistência” é a INTERAULA que traz sempre um assunto de relevância da nossa contemporaneidade, abordado por dois ou três professores – ao mesmo tempo na tela – a partir da compreensão de sua área de estudos.Ex: se o tema é Aquecimento Global, teremos um professor de Geografia, outro de Física e ainda outro de Biologia debatendo e enriquecendo o assunto.Essa é a “pegada” da prova do ENEM e vestibulares avançados, e é isso que estamos dando a esses alunos.Isso e muito mais.

Além do mais, agregamos ao programa de TV, um portal de estudos,o WWW.tosabendomais.com.b , que abriga todos os conteúdos veiculados na TV e é fonte permanente de informação para quem quiser aprofundar o que viu na telinha.Esse site foi lançado há dois anos como complemento do programa Tô Sabendo, da TV Brasil e, mesmo tendo por âncora uma TV pública – e não uma comercial com audiência nas alturas – já chegou, até o momento a 1milhão de visitas, com tempo médio de 8 minutos, marca altíssima para permanência em um site de educação.

Estão vendo que dá certo? Os meios de comunicação devem muito à cidadania.Quem entope nossas cabeças com um volume descomunal de lixo do entretenimento tem a obrigação de nos abrir boas janelas ao conhecimento, criando uma forma sedutora e dinâmica de estudar.

Jorge Portugal- educador e apresentador de TV. E-mail>secretaria@jorgeportugal.com.br

 

set 9

 

Demorou! A melhor notícia que recebi na semana passada foi a manifestação de estudantes brasileiros em defesa da qualidade do ensino nacional.Já estava achando esquisito a moçada do Chile “mandando ver” nas ruas há várias semanas, e o pessoal daqui… nada!E olhe que no comparativo dos dois sistemas de educação, sempre nos chegaram notícias de que o Chile era praticamente um paraíso nessa área.E eu daqui pensando: “puxa, se o Chile é um paraíso e se movimenta, o Brasil, que está pra lá de inferno, nem pia”.

Os estudantes que foram às ruas em Brasília pedem basicamente duas coisas: que se aumente o percentual do PIB, em 10%, para a educação e que se destinem 50% da renda do Pré-Sal para promover e incrementar políticas públicas que melhorem nosso ensino.Boa e justa pauta! Mas se eu tivesse voz amplificada sugeriria a eles que aproveitassem o embalo  e incluíssem algumas “velhas reivindicações” que temos martelado aqui do nosso espaço, muitas propostas pelo grande educador Cristóvam Buarque: 1)que fosse criada e aplicada responsabilidade penal aos gestores que ainda se negam a pagar o piso nacional aos professores;2)excluída essa possibilidade, que fosse então federalizado o ensino público brasileiro, passando os trabalhadores em educação a serem tratados da mesma forma que funcionários do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e da Petrobras;3)que fosse aprovada , pelo congresso, a “bomba do bem”, que determinaria a qualquer detentor de cargo público – do vereador ao presidente – a matricular seus filhos na rede pública de ensino.

Quem sabe se, pedindo tudo isso, os estudantes não consigam levar, pelo menos, os 10% do PIB e os 50% do Pré-Sal? A situação é clássica: todo partido de esquerda que chaga ao poder pelo voto, tende a  fazer um leve(ou acentuado) movimento à direita.Sobretudo quando precisa aliar-se a um elenco de partidos que até ontem apoiavam a ditadura.A possibilidade de vender um quarto da alma em nome da governabilidade é altíssima.Daí então, os movimentos sociais(que sabem onde o calo dói) não podem relaxar um minuto.Se não se movem nas ruas, o governo não se move no poder.Por isso, precisamos voltar a gritar –e bem alto – nos ouvidos do Congresso e da Presidente Dilma .A UNE não pode ser uma secção do Planalto.Nem os sindicatos.Nem o MST.Movimento social é pra fazer governo avançar!

Já que voltaram às ruas, espero que os estudantes “tomem gosto” e continuem por lá.E a sociedade venha atrás.Afinal, ensino público de qualidade é a única bandeira que ainda tem cheiro de revolução, nessa quadra histórica sem utopias.Como a juventude está fazendo no Chile, temos muito mais motivos para não voltarmos a casa tão cedo.