abr 26

 

Quando vejo algum intelectual empertigado (ou alguém que assim se acha) desancando o escritor Paulo Coelho e obras como Harry Potter e congêneres, fico me perguntando:quantos pessoas esse sujeito – ou sujeita – já incluiu no mundo da leitura?E mundo da leitura aqui não se confunde com mundo da “alta literatura”.É o simples ato de abrir um livro e passear, por um bom tempo, o olhar sobre a palavra escrita.Já ouvi relatos de muitos ex-alunos que começaram por Paulo Coelho e terminaram chegando, depois, a Clarice Lispector .Mas, antes de pegar um livro do que chamamos “sub-literatura”, essas pessoas simplesmente não gostavam de ler.É que intelectuais empertigados vivem no olimpo das academias e não costumam descer aos infernos da “cultura quase zero”  de estudantes do ensino básico e do povo em geral…

Tudo isso para conversarmos sobre a sensação do momento, a novela “Amor e Revolução” do SBT.Ainda nem tinha me interessado pela atração quando soube que um grupo de militares havia pedido sua retirada do ar.Claro que aí meu interesse explodiu. Passei a assistir ao folhetim e a me entusiasmar com o seu conteúdo. É uma mistura de “Romeu e Julieta” e crua narrativa sobre a ditadura militar.Narrativa que não mede palavras nem imagens.Estão lá dois oficiais da” linha dura” caçando e matando opositores; sessões de tortura nos porões do DOPS, com “pau-de-arara”, perseguição e banimento de quadros políticos que apoiavam o presidente Jango, enfim, uma história que sempre foi proibida ao povo brasileiro e agora contada na tela da TV.E uma TV popular, público C e D.Boa parte daquilo que ainda não foi relatado pela “Comissão da Verdade”, com sua instalação postergada por poderoso lobby, a TV aberta começa a contar.E a audiência cresce de semana para semana.

O elenco é bom? Nem todo.Muitos atores jovens chegam a ser sofríveis e a direção precisa melhorar em alguns aspectos.Mas “Amor e Revolução” é como o primeiro livro de Paulo Coelho que cai nas mãos de um não-leitor.Com esse primeiro contato ele pode tomar gosto e querer mais, muito mais.E a trilha sonora é o mel do melhor dos nossos maiores gênios musicais.

                            Jorge Portugal

        Educador e poeta.E-mail>secretaria@jorgeportugal.com.br

abr 23

 

 

Passeio, nesses últimos dias, meu olhar pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do mundo, construção de estádios, ampliação  de aeroportos, modernização dos meios de transportes, um frenesi  em torno do tema que domina mentes e corações de dez entre dez brasileiros.

Há semanas, o todo-poderoso do futebol mundial ousou desconfiar de nossa capacidade de entregar o “circo da copa” em tempo hábil para a realização do evento, e deve ter recebido pancada de todos os lados pois, imediatamente, retratou-se e até elogiou publicamente o ritmo das obras.

Fiquei pensando: já imaginaram se um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? É… pois se todo mundo acha que reside aí nossa falha fundamental, nosso pecado social de fundo, que compromete todo o futuro e a própria sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por que não um esforço nacional pela educação pública de qualidade igual ao que despendemos para preparar a Copa do Mundo?

E olhe que nem precisaria ser tanto! Lembrei-me, incontinenti, que o educador Cristóvam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador da República, encaminhou ao senado dois projetos com o condão de fazer as coisas nessa área ganharem velocidade de lebre: um deles prevê simplesmente a federalização do ensino público, ou seja, nosso ensino básico passaria a ser responsabilidade da União, com professores, coordenadores e corpo administrativo tendo seus planos de carreira e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal.Que tal? Não é valorizar essa classe estratégica ao nosso crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? O projeto está lá… parado, quieto, na gaveta de algum relator.

O outro projeto, do mesmo Cristóvam, é uma verdadeira “bomba do bem”.Leiam com atenção: ele, o projeto, prevê que “ daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da república serão obrigados a matricular seus filhos na rede pública de ensino”. E então? Já imaginaram o esforço que deputados(estaduais e federais) , senadores e governadores não fariam para melhorar nossas escolas sabendo que seus filhos, netos, iriam estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator.E não anda.E ninguém sabe dele.

Desafio ao leitor: você é capaz de, daí do seu conforto, concordando com os projetos, pegar o seu computador e passar um e-mail para o senadorValadares(antoniocarlosvaladares@senador.gov.br)pedindo que ele desengavete essa “bomba do bem”?É um ato cívico simples.Pela educação.Porque pela Copa já estamos fazendo muito mais.

                            JORGE PORTUGAL

Educador e Apresentador de TV

E-mail> jorgeportugal@terra.com.br

Twitter>jorgeportugal1

abr 20

 

Poetas são criaturas que conhecem, como ninguém, o endereço do nada.E, quando se lhes dá na telha(ou na pele), vão lá e retiram palavras, imagens e metáforas para falar de mundos que a nossa impotência verbal não traduz.E é dos poetas que tomamos as palavras emprestadas quando sentimos que as nossas não conseguem chegar às estrelas.

Pois bem, neste ano da graça de 2011, estará completando inacreditáveis 70 anos, um dos maiores e mais importantes poetas da cultura brasileira contemporânea: José Carlos Capinan.

Foi  de Capinan que você,leitor(a), tomou as palavras precisas para expressar aquela alegria indizível de se descobrir vivo e feliz.Ali, você cantou: “ cores do mar, festa do sol/vida é fazer todo sonho brilhar, ser feliz/em seu colo dormir e depois acordar/sendo o seu colorido brinquedo de papel machê…”.Lembra?

Ou, no caso de você já ter passado dos trinta(rsrsrs!) e ter vivido com ardor juvenil o sonho de alguma revolução igualitária em que os países não tivessem fronteiras, nem divisões sociais, o seu coração “guevariano” certamente deve ter cantado “ Soy loco por ti, América/tenga como colores a espuma blanca de latinoamerica/ e el cielo como bandera”.Ou, ainda no seu caso,caro leitor, ao despir a mulher amada com olhos de poesia e desejo, e não encontrando palavras à altura para o seu plano de sedução, deve,sim, ter pedido ajuda a Capinan e cantado no ouvido da musa:” moça bonita, o seu corpo cheira ao botão de laranjeira/eu também não sei se é/imagina a minha sina é um cheiro de café/ou é só cheiro feminino/é só cheiro de mulher”.

E assim, dessa maneira, Capinan foi tomando conta de nossas vidas, convidando-nos a “penetrar surdamente” no reino de suas palavras e nos entregando a chave de belas e invulgares emoções.Por isso, onde você estiver no próximo sábado, agradeça ao deus da poesia por ter nos dado esse “caboco do mato” que vem enchendo nossa vida de palavras, sonhos e luz.

PS: Samuel Celestino, meu “companheiro-em-armas” por uma Bahia melhor:Podemos até perder a luta.Mas, como dizia Darcy,será bem melhor não estarmos no lugar dos vencedores.Nem dos omissos.

 

                                      Jorge Portugal

              Educador e Compositor.E-mail>jorgeportugal@terra.com.br

              Twitter> jorgeportugal1

abr 15

 

O desemprego é um dos grandes problemas dos países do terceiro mundo que são capitalistas. Proveniente da dominação econômica, imposta pelos desenvolvidos, tornou-se um dos maiores aliados do imperialismo

A situação econômica por que passam os países subdesenvolvidos é grave. A dívida externa e interna, inflação, baixo poder aquisitivo fazem com que o mercado de trabalho fique cada vez mais escasso, apresentando os altos índices de desemprego. Um exemplo deste aumento é o número cada vez maior de biscateiros nos grandes centros urbanos. Vê-se, assim, que o desemprego é uma característica marcante do subdesenvolvimento de um país.

No Brasil, a falta de emprego é gritante. O mercado de trabalho exige cada vez mais a qualificação do empregado, para que o empregador possa pagar, com um salário, o trabalho que seria feito por vários. Um micro computador, que só precisa de um operador, substitui o desempenho, muitas vezes, de dezenas de pessoas. Sendo assim, as pessoas, para sobreviver, engrossam as fileiras do sub-emprego ou da marginalidade.

É preciso que se faça uma reforma agrária nestes países. Assim será incentivada a fixação do homem no campo, onde não faltará trabalho. Além do mais, não resolverá só o problema do desemprego: abrirá caminho para o desenvolvimento.

Autor: Marcelo Silva Dantas (Aluno)

abr 15

 

“A televisão é uma máquina de fazer doido”. Com essa afirmação, o jornalista Sérgio Porto tentava conceituar a novidade eletrônica que cada vez mais os lares brasileiros, na década de sessenta.

De fato, pode-se dizer que o surgimento da TV provocou uma revolução sem precedentes. Conjugando o som e imagem apresentando os fatos em tempo quase real,terminou por banir a vida de milhões de pessoas outros importantes meios de comunicação. O jornal e o rádio, outrora indispensáveis no processo de informação social, viram-se relegados a uma condição secundária, ou até mesmo excluídos do cotidiano popular. O domínio da TV, portanto, foi completo, implacável e definitivo.

Em países periféricos como o Brasil, a sua atuação mostrou-se, sob certos aspectos, devastadora. Povoando o imaginário de uma grande massa desenformada e analfabeta, foi construindo, nessas pessoas, um ideal de mundo inteiramente alheio ás suas realidades. Através principalmente das novelas, levou favelado a sonhar com mansões; a moça tímida e pobre, com o galã encantado e, pior: disseminou a crença de que, apesar das adversidades, tudo terminará no final feliz.

A TV, por fim, gerou uma grave crise de identidade sócio-cultural. O mundo dos sonhos, projetado ao tempo da novela, desaba inexoravelmente no fim de cada capitulo. E o indivíduo, impotente e pobre, volta a ser protagonista de uma história que ele aceita cada vez menos: a vida real.

Autor: Silber Carvalho (Aluno)

abr 15

 

 

Mês de Janeiro, no condomínio de classe média  onde moro,recebo o sorriso e os braços abertos de um vizinho que exclama:”Jorge, me dê um abraço.A partir de hoje aumento um pouco mais os números de minha conta bancária”.Sem entender, perguntei a ele se havia faturado a mega-sena, ou recebido alguma herança.”Que nada, respondeu-me ainda eufórico.Meu filho e minha filha acabam de ser aprovados  na UFBa, em Direito e Odonto, e eu, que pagava quase R$ 4.000,000 pelos dois em colégio particular, terei esse dinheiro de volta ao meu bolso a partir de agora”.

Imediatamente o meu pensamento voou para a outra ponta.Certamente em alguma família de baixa renda, algum estudante que cursou escola pública deve ter passado em algum vestibular de faculdade privada e, a partir de agora, essa família vai-se virar( sabe Deus como!) para arranjar os R$ 700,000 mensais(ou mais) e manter o filho no ensino superior.

Essa inversão brutal tornou-se o caminho mais cruel – e despercebido- da exclusão sócio-educativa no Brasil.Famílias abastadas pagam onze anos de escola particular, preparam seus filhos satisfatoriamente e estes ingressam, não raro, nas universidades públicas, onde conquistarão um “diploma cinco estrelas”  e a certeza de um bom lugar no mercado de trabalho.Já os filhos da pobreza fazem toda a viagem escolar na rede pública- onde é um milagre quando o professor aparece – e às portas do vestibular só lhes resta a opção de cursar uma faculdade privada(ou faculdade-privada?), conquistando um diploma  visto com total desconfiança pelo mercado.

E assim se reproduz o ciclo da exclusão que abate sem dó negros, pobres (pleonasmo?), nordestinos e toda a periferia do bem-estar social a quem o braço do estado não consegue alcançar.As políticas públicas de reparação, sem dúvida, são bem vindas.As cotas tornam-se imprescindíveis dentro de um cenário como este; o Prouni quebra um galho inestimável ante a possibilidade de “formação superior zero”.Mas todas elas devem ser vistas como soluções com prazo de validade a vencer um dia.O que queremos mesmo é uma escola pública de qualidade, sintonizada com o melhor do mundo e professores com remuneração que os faça sorrir; um currículo inteligente e razoável, que consiga plugar os estudantes na contemporaneidade e fazê-los reconhecer o valor da escola em suas vidas; a integração sala de aula e tecnologias como forma de dar celeridade e onipresença da informação na vida do estudante.De maneira leve e sedutora, se possível.

Dizia mestre Anísio Teixeira que “ o ensino público de qualidade é a única máquina de fazer democracia”.Fora disso, é conversa fiada, engodo de demagogo, papo furado de gestor-meliante.E o velho filme de terror que transforma a juventude pobre do país em “ cabras marcados para perder”.Sempre.

                                     JORGE PORTUGAL

Contatos> jorgeportugal@terra.com.br

 Twitter> @jorgeportugal1

 

abr 15

 

Não, o que me preocupa não são as declarações racistas e homofóbicas do dep. Bolsonaro.Esse, aliás, já deveria ter sido banido da vida pública há muito tempo, desde quando fez clara apologia à tortura, ou quando sugeriu que” se o regime militar tivesse matado FHC, ele agora não seria presidente”.Mas essas coisas não parecem calar fundo na alma do brasileiro médio, deitado eternamente no berço do seu comodismo político.
O que me causa pasmo é a ponderável quantidade de e-mails, nos debates da internet,de apoio declarado à posição do deputado-boquirroto e seus 120. 000 fieis eleitores cariocas.Dirão os cínicos relativistas que isso é a democracia, é liberdade de opinião e outras platitudes que tais.Como se uma declaração que reforça a homofobia e o racismo –este, crime inafiançável- tivesse o mesmo teor, por exemplo,que uma tentativa retórica de desqualificar algum governo de plantão.
Leio no Jornal A Folha de São Paulo que na capital paulista já são 25 os grupos neonazistas especializados em espancar e até matar negros, gays e nordestinos.Notem bem:grupos mapeados pela delegacia especializada do estado.Ganha um acarajé de Cira, recheado de camarão, quem adivinhar quem é o político idolatrado por essa corja.Inclusive, no último sábado, saíram à Avenida Paulista com o fito de “acabar na porrada” uma manifestação que pedia a cassação de Bolsonaro.
Em artigo escrito na quinta-feira, para o Terra Magazine, o juiz paulistano Marcello Semmer expunha com clareza e fundamentação as razões para uma cassação do mandato de Bolsonaro.Recebeu uma enxurrada de e-mails agressivos e velados tons de ameaça.Um deles não se conteve e deixou lá sua saudação:”Heil Hitler!”.
E o brasileiro “cordato”, “democrata racial”, “defensor da liberdade de opinião”(desde que não ameace seus interesses)faz ouvidos moucos a tudo isso.A esses eu recomendo a leitura do belo, curto e incisivo poema “No caminho, com Maiakóvski”, de Eduardo Alves da Costa.No Google você acha.Ah! aproveite e assista ao filme “O Ovo da Serpente” , de Bergman.E pode esquecer a leitura deste artigo.
Jorge Portugal
Educador e Apresentador de TV.E-mail>jpportugal@uol.com.br

CONTATOS:
Email: jorgeportugal@terra.com.br
Twitter: @jorgeportugal1