No dia 20 de Junho estava eu em Milão, na Itália, para receber o prêmio Ágape, em reconhecimento, pelos italianos, dos projetos sócio-educativos que desenvolvo ou estimulo aqui na Bahia. Foi uma bonita cerimônia, transmitida para o mundo inteiro pela RAI, ocorrida no Castelo San Gaudenzio, uma fortaleza medieval que nos faz entrar no túnel do tempo e voltar aos idos de 1340, ano de sua fundação.
No dia 22, após o evento de premiação, fiz o indispensável roteiro de conhecer Veneza – cidade-sonho ou sonho de cidade? – e seguir para Roma. Em Roma deu-se um encontro esperado a vida inteira. Ou melhor: um reencontro.
A verdade é que, os que amamos estudar história, temos por toda a existência, o imaginário povoado por fatos, personagens, idéias e lugares da cidade eterna. As aulas sobre a “era clássica”, de Édio Souza e Hélio Rocha, voltam como um filme a que a gente estivesse assistindo na condição de participante. O esplendor da Capela Sistina, com o gênio de Michelangelo obrigando a 500 pessoas de mundos diferentes a olharem para o teto em êxtase coletivo, a monumentalidade do Vaticano e sua Basílica de São Pedro (que deixaria Francisco de Assis estarrecido!), as ruínas do Senado, do Fórum, a Coluna Trajana, o Panteão, enfim, uma cidade-museu a céu aberto para o encanto dos olhos e da memória.
Além dessa Roma histórica, dos etruscos, do império e do renascimento, ainda nos brinda a Roma de Fellini, com a Fontana de Trevi num inesquecível azul a nos estimular a visão dos deuses de uma Anita Egberg- poesia e mulher- alucinando desejos e inspirações de uma “dolce vita”.
Durante todo o tempo na Itália não deixava de me perseguir a frase-chave de Eduardo Galeano na abertura do indispensável “As veias abertas de América Latina” para equacionar as indecentes desigualdades entre povos e nações: “na divisão internacional do trabalho, alguns países se especializaram em ganhar e outros, em perder”. Bem que eu queria estar com a cabeça livre, em férias, tendo os olhos apenas para o deslumbramento e o espírito crítico deixado na gaveta. Mas a frase me martelava o tempo todo, me fazendo voltar sempre ao Brasil, à Bahia, naquela encruzilhada de contrastes que eu percebia e vivenciava.
Óbvio que Roma foi a capital do maior império da história, concentrou no seu território mais riquezas culturais que qualquer outro lugar do mundo e, por isso, tornou-se uma cidade-livro-filme pela qual as pessoas pagam caro para ler-ver-viver. Os italianos são enlouquecidamente apaixonados pela sua história e cultura e já se põem em armas à mais leve insinuação de que exista algum lugar mais importante no planeta.








julho 10th, 2009 at 12:45
Grande Jorge Portugal,
Eu já moro nos Estados unidos ha quase 20 anos e comecei a ler sua coluna quando por acaso eu vi no Google “noticias da Bahia, e você falava sobre Margaret Menezes, que por sinal achei muito interessante. Eu não sou muito de escrever, mas só gostaria de te falar que fico muito orgulhoso da sua coluna e de você ser baiano.
Essa sua viajem a Itália foi muito bem expressada historicamente, mas este sentimento em que você descobriu no final da sua jornada me deixou todo arrepiado. Eu espero que você continue contribuindo pra que o nosso povo abra a cabeça de uma maneira ou de outra pra profundidade e importância da nossa cultura.
Maior prazer poder te falar.
Ivon
julho 18th, 2009 at 10:32
Como ler um texto-êxtase e calar-se?
Parabéns ao prêmio, mesmo sabendo que este é apenas um símbolo. As congratulações verdadeiras vai para o trabalho desenvolvido e pelas aulas de humanidades que você tem proporcionado àqueles que se encorajam no mundo da LEITURA e do conhecimento.
Esperamos novos e deliciosos textos!
Jucilene